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Latência ao vivo: quanto é aceitável e como reduzi-la

A latência é o tempo entre o som entrar no microfone e sair na coluna ou nos auscultadores. Em palco, poucos milissegundos fazem diferença, sobretudo na monitorização intra-auricular. Veja de onde vem e como controlá-la.

Atualizado em 30 de outubro de 2026 · 4 min de leitura

Todos os sistemas digitais têm latência. Uma mesa digital comum já soma alguns milissegundos entre a entrada e a saída, e ninguém dá por isso. O problema começa quando a latência cresce sem se saber de onde vem. Perceber as partes ajuda a tomar melhores decisões sobre buffer, plugins e monitores.

De onde vem a latência

  1. Conversores. A interface converte o sinal analógico em digital à entrada e novamente em analógico à saída. Cada conversão demora uma fração de milissegundo.
  2. Buffer de entrada e de saída. O computador recebe e entrega o áudio em blocos. Cada bloco é um buffer.
  3. Driver e margem de segurança. O driver e o sistema podem reter um bloco adicional para evitar falhas quando o processador tem um pico.
  4. Plugins. A maioria dos equalizadores e compressores tem latência zero. Plugins de fase linear, de look-ahead ou de análise acrescentam tempo, por vezes bastante.

Como calcular o buffer

O tempo de um buffer é o número de amostras dividido pela frequência de amostragem.

Buffer 48 kHz 96 kHz
32 amostras 0,67 ms 0,33 ms
64 amostras 1,33 ms 0,67 ms
128 amostras 2,67 ms 1,33 ms
256 amostras 5,33 ms 2,67 ms

Lembre-se de que o áudio passa por pelo menos um buffer à entrada e outro à saída. Some os conversores, o driver e os plugins e obtém a latência total, sempre maior do que o valor do buffer isolado.

Quanto é aceitável

Uma boa referência: o som percorre cerca de 34 centímetros por milissegundo no ar. Um músico a 3 metros do amplificador já ouve o som com uns 9 ms de atraso, e acha normal.

  • PA: o público não nota alguns milissegundos a mais. O que importa é o sistema estar alinhado.
  • Monitor de chão: a distância entre o músico e a coluna já soma latência acústica. Poucos milissegundos a mais raramente incomodam.
  • Monitorização intra-auricular (in-ear): é onde a latência mais se nota. O cantor ouve a própria voz por dentro da cabeça e pelos auriculares ao mesmo tempo; com atraso, a voz soa oca ou com efeito de filtro. Aqui convém manter o caminho o mais curto possível e evitar plugins com latência.

Como reduzir sem perder estabilidade

  • Reduza o buffer aos poucos. Teste o espetáculo inteiro a 128 amostras e só depois experimente 64 ou 32.
  • Use 96 kHz apenas se o Mac aguentar. A latência cai para metade, mas o processamento duplica.
  • Separe os caminhos. Os plugins pesados podem ficar no PA; o in-ear recebe um caminho com plugins de latência zero.
  • Evite fase linear e look-ahead em vozes e instrumentos que vão para o in-ear.
  • Deixe o Mac livre. Feche aplicações, desligue sincronizações e não grave em segundo plano no mesmo disco sem testar antes.

Compensação de latência: porque é importante

Quando dois sinais se somam, ambos têm de chegar ao mesmo tempo. Se um canal passa por um plugin com 3 ms de latência e o outro não, a soma fica com cancelamentos de fase. A compensação de latência atrasa o caminho mais rápido para que tudo chegue alinhado.

O ideal é compensar apenas onde os sinais se encontram. Se a mesa inteira esperar pelo plugin mais lento, um único plugin pesado atrasa todos os canais, incluindo os monitores que não precisavam disso.

Onde entra o Live Rack

No Live Rack, em cada ponto de soma só os sinais que se somam esperam pelo mais lento, pelo que um plugin pesado num canal não atrasa a mesa inteira. A barra de estado mostra a latência real total, da entrada até à saída do LR, já com buffer, driver, plugins e o buffer de segurança. Com plugins de baixa latência, esse caminho fica entre 5 e 14 ms com buffers de 32 a 128 amostras a 48 kHz.

Para escolher o hardware e o software, consulte também o guia preciso de um servidor DSP?.

Perguntas frequentes

Que buffer usar ao vivo?

Comece com 128 amostras a 48 kHz. Se o espetáculo correr sem estalidos e com folga de processador, experimente 64. Use 32 apenas se o Mac e a interface aguentarem o espetáculo inteiro.

Porque é que o meu programa mostra uma latência maior do que o buffer?

Porque o total inclui entrada, saída, conversores, driver, margem de segurança e plugins. Desconfie de valores que mostram apenas o buffer.

A latência muda com o número de canais?

Não diretamente. Mais canais exigem mais processamento; se o processador não der conta, é preciso um buffer maior, e então a latência sobe.

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